quarta-feira, 10 de julho de 2013

A Evolução É Inevitável!


O universo está em evolução. Creio que esta evolução se dirige ao espírito, e que este se realiza nos atos pessoais. Acredito que esses atos pessoais tratam-se do universo em movimento.

Não há uma inversão na ordem dos valores quando se coloca a "fé" na evolução da humanidade e do próprio universo, e quando colocamos toda a nossa energia acima da mais profunda gratidão ao criador.


Quando tomarmos consciência desta evolução, deveremos eliminar algumas suspeitas em torno da existência do mundo espiritual e do seu processo de transformação. Nós somos dotados de um valor insubstituível e definitivo, que é a evolução pelas nossas reencarnações. Muitos têm dúvidas, porém, não dá mais para fecharmos os olhos à existência de uma raça sobre-humana, seja ela superior ou inferior, ela existe, e toda nossa evolução está interligada a ela. Você apenas escolhe o lado a seguir.


A evolução não nos conduz a um relativismo absoluto. A evolução culmina em uma forma de vida que tem um valor inalienável, insubstituível e imperecível. O ser humano só pode superar a si mesmo, tornando-se uma pessoa maior e melhor a ele próprio. Uma vez formado um centro reflexo, fica difícil mudar, a menos que se realize um mergulho para dentro de si, fazendo florir a gratidão, a compaixão e o amor, que são sentimentos primordiais ao aperfeiçoamento. 

Um ponto que devemos tomar cuidado, para o futuro da humanidade, é mudar o nosso DNA da idade média. Não podemos insistir em uma destruição da natureza humana como realidade em nós. Foi isso que nos deixou de herança a idade média. Claro que existiram espíritos isoladas que tiveram, e ainda têm, um papel importante para o nosso desenvolvimento, porém, o que realmente ficou em nosso sangue foram as guerras, a ignorância, as orgias e tudo mais. Também é verdade que foram poucos os que se contaminaram diante da grandeza dos espíritos e da sua natureza. O mal sabe fazer o barulho de uma cigarra antes de se calar para sempre, pois ele, no seu pleno desdobramento, é barulhento. Ele se tornou um obstáculo para a plena realização da humanidade. Todas as forças negativas cairão por não acreditarem na evolução dos espíritos, na evolução da humanidade, do Planeta e do Universo. 

A família humana caminhará realmente para uma comunhão pessoal sólida entre todas as pessoas, comungando no amor. De acordo com a sua própria natureza, o ser humano não passa um segundo sem estar em evolução, e a arte desta evolução está no Amor.
 


Estejamos aqui ou em outras dimensões, sempre estaremos em constante evolução, assim como todo o universo. Lembremo-nos dos dinossauros e demais animais que se foram para sempre, do homem primitivo e do próprio Planeta, cuja desordem é evidente. 

A soma dos minutos formam as horas, que se transformam em dias, meses, anos, décadas, eras. Comece agora a viver plenamente os momentos em toda sua plenitude e verá, ao final do dia, que você pode vir a ser uma pessoa melhor a cada instante. Você irá notar que se transformou numa pessoa melhor em todos os sentidos, mais alegre, mais confiante e com mais fé.
 


A crise pela qual passamos é um bom sinal. Suas características não são as de uma destruição, porém, as de um novo mundo, que já aparece para quem sabe admirar e participar, a todo momento, da evolução do universo e de toda a humanidade. 

Em toda evolução há o crescimento dos espíritos e de cada um de nós. Não há mais como nos enganarmos. O mundo espiritual é citado em todos os cantos e por todas as religiões, pois, do contrário, elas se calariam. As religiões conquistam seus fiéis às custas do oculto, dos que já morreram. A evolução vai mostrar que todas as verdades ditas podem não passar de mentiras, e que tudo o que se acredita pode ser exatamente o contrário.
 


Não é apenas uma dedução puramente racional. Os sintomas já são visíveis e a trama das organizações políticas, econômicas, sociais e culturais torna-se sempre mais densa, envolvendo toda a terra e penetrando em toda a existência individual. As gerações precedentes podiam viver dentro dos limites da família, do povoado, da nação, que satisfaziam todas as necessidades vitais de seus membros. Para viver, é necessário ao ser humano moderno, não somente sua alimentação, mas ainda sua busca do conhecimento, do progresso, do crescimento. Uma espécie de sede que passou a ser a nossa motivação.

O patrimônio da humanidade é a própria humanidade. Uma civilização dita moderna, bruscamente se expande por toda a face da terra habitada. Isso é evolução. E somente quando a unidade estiver em cada um de nós, em todas as nossas existências, pensamentos e ações, reconheceremos e aceitaremos todos como filhos de Deus e, dessa forma, a humanidade se realizará inteiramente. E mesmo assim a evolução nunca irá parar, pois, para Deus, o mundo nunca deixará de girar e esses giros são os passos da evolução.


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Porque Quando Queremos, Não Assumimos Que Queremos???

Sentimentos e emoções abafadas explodem como uma panela com excesso de pressão. 
Estamos hoje vivendo em nosso país um momento que representa exatamente isso, um povo que por anos se calou, engolindo tudo que não concordava. Os questionamentos paralelos em nada adicionavam, mas o fazíamos como uma forma de desabafo e íamos vivendo cada qual a sua vida, mas sempre com um denominador comum de indignação, de sensação de ser enganado.


As emoções chegaram a um ponto que hoje se extravasam em todas as direções e juntam muitas e muitas pessoas pelo senso comum de serem ouvidas.

Em nossa vida, muitas vezes agimos exatamente da mesma forma, contemos emoções e deixamos de falar com o intuito de agradar ao outro ou até mesmo de não piorar a situação que nos encontramos e essas emoções retidas são extravasadas na forma de doenças, depressões, pânico, problemas de coluna, de estômago e de tudo mais que seu corpo puder demonstrar em um incessante pedido de socorro.
A pista para sua realização pessoal está em seu bem-estar e em sua tranquilidade.

Toda emoção sentida precisa ser ouvida, precisa ser investigada antes que venha um mal maior e algumas vezes devastador que, então, não o faça enxergar a origem de tal sentimento.

A dificuldade de ser honesto consigo mesmo aplica-se até mesmo nas pessoas mais honestas, pois com certeza em níveis mais profundos ela coloca máscaras para se moldar ao que julga correto.


Tenho uma história de consultório que muito me chamou a atenção: recebi um encaminhamento de uma senhora que se encontrava em estado depressivo contínuo, passou até mesmo a não conseguir se expressar por meio da fala. Com muita dificuldade ela escrevia algumas palavras e então se fazia entender com o mínimo necessário. Encontrava-se em tratamento clínico e com acompanhamento vinte e quatro horas, pois havia a tendência eminente de suicídio. A família havia me procurado como mais uma alternativa de busca de socorro. A filha me disse que por vezes ela demonstrava comportamento agressivo e uma certa apatia pela vida.

Expliquei, então, que o atendimento que eu fazia era pela Radiestesia utilizando como instrumento de trabalho a Mesa Radiônica, que inicialmente seria feito um diagnóstico completo das energias de sua mãe e que depois eu iria identificar os bloqueios energéticos que haviam deixado sua mãe daquela forma e iria eliminá-los. Expliquei ainda que o meu atendimento se referia somente a uma mudança de padrão vibracional energético que não estava associado a nenhuma crença e que não dispensava de forma alguma o tratamento e acompanhamento médico.


Iniciei o primeiro atendimento na presença da filha, que dizia que a mãe não poderia falar comigo e que eu não a compreenderia pela escrita. No olhar de sua mãe havia um pedido de privacidade. Expliquei à filha que preferia atender a sua mãe sozinha, no intuito de fazer uma tentativa.
No início do atendimento, a senhora parecia muito desconfiada, mas à medida que a energia começou a atuar em seu campo vibracional, ela foi se sentindo mais tranquila e confiante.


No primeiro bloqueio identificado, aos dois anos de idade, ela não quis falar nem escrever nada, apenas derramou lágrimas, enquanto eu descrevia a sensação enorme de abandono que eu sentia através de sua energia. No segundo bloqueio, aos onze anos de idade ela resolveu escrever que havia sido colocada sem nenhuma explicação em um colégio interno, que ali permaneceu por quatro anos sem ver mais seus pais, e quando dali saiu foi morar com uma tia porque seus pais estavam separados e tinham constituído nova família. O terceiro bloqueio, referia-se a um casamento não realizado que ela contou com suas palavras na forma de um breve resumo. E, por último, o atual marido que desde que se casara com ele tivera que abrir mão de toda a sua vida; ele influenciava até mesmo como ela devia se comportar nos locais e o que devia dizer às pessoas. Porém, quando ela começou a me contar sobre este último bloqueio resolveu, então, soltar aquele silêncio de anos e contar em detalhes sobre cada um dos bloqueios encontrados, pois agora sem a energia de estagnação de cada um deles se sentia melhor e livre.


Depois de um relato longo descobrimos que a única coisa que havia por trás de cada bloqueio de sua vida era o abandono com a completa desvalorização de sua pessoa. A situação inicial havia sido de sua mãe que não desejou a sua gravidez e após seu nascimento considerava a sua presença como algo que atrapalhava a sua vida. Ela conseguiu lembrar nitidamente de uma cena em que no quintal, aos dois anos, puxava o vestido da mãe pedindo colo e carinho e a mãe a empurrava para longe e gritava com ela.
Passado algum tempo de atendimentos e com nossas conquistas, hoje ela se encontra em plena saúde física e emocional, com acompanhamento médico para desmame de remédios.

Se hoje você se encontra com emoções represadas e com vontade de explodir com o mundo, tenha absoluta certeza que antes que isso aconteça, é possível que você transforme sua vida em paz, tranquilidade, harmonia e realizada, pelo simples fato de eliminar os bloqueios de energia que o levam a situações repetitivas.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Você Briga Muito Em Família???



Você faz parte do rol de pessoas que têm grande parte da sua vida envolvida em diversas discussões familiares de difícil solução? Às vezes, você acha que esse tipo de situação nunca vai terminar e/ou explode ou ignora, ou sai de casa, ou fica acuado dentro do seu quarto esperando aquilo tudo passar?


Experimentar consecutivamente este tipo de vivência pode ser mais danoso para sua expressão no mundo do que você pode imaginar. Os sentimentos subliminares que vêm das brigas crônicas, além de gerar enorme mal-estar, levam a reações emocionais defensivas indevidas para lidar com este tipo de estresse. O problema é que se você sente que nunca é ouvido, por exemplo, como reação para a vida afora, você pode ir com uma crença infundada do tipo: "Eu não valho nada", ou "sou insignificante" e por aí vai... E como reação emocional, reflexo do que você passou ou ainda passa, você pode ter se tornado aquele tipo que tenta se impor a qualquer custo ou naqueles que se isolam por achar que não vale a pena nem tentar colocar a opinião. Se você observar, verá que nas duas soluções, o pano de fundo, o que rege o movimento, é a angústia.


Situações danosas dessa ordem, indubitavelmente, geram reações indesejáveis mundo afora, e pior, ficamos atados a elas como robôs. Como se um eu nosso percebesse uma parte sua agindo, e sem estar satisfeito com esse padrão de funcionamento, sente-se impotente por não conseguir mudar. E nesse caso, se você não fizer nada a esse respeito, invariavelmente repetirá o mal-estar que constantemente passa ou passou em casa. 

Os cenários mudam, mas nosso sistema de sobrevivência, a nossa máquina cerebral, se não fizer um bom trabalho de reprocessamento, de ressignificação, continua fixo no padrão de funcionamento aprendido. Não é nada produtivo passar por experiências diferentes das que tivemos em casa e reagir com a mesma reação aprendida. Muitas vezes, as pessoas percebem que as situações ao longo da vida podem ser diferentes e que o ocorrido em casa já passou, mas fica difícil ser diferente, o que só piora as angústias, inclusive, promovendo baixa autoestima.

E o que fazer para mudar este ciclo de repetição?

Mesmo quando se tem segredos de família mal-resolvidos. Acesso difícil de pais com filhos ou de filhos com os pais. Quando os pais sentem dificuldades para se impor, quando sentem que perderam a mão para com os filhos e que não têm mais autoridade. Quando filhos, mesmo que adultos, sentem-se desqualificados pelos pais e pela família em geral e em qualquer vivência complicada nesse âmbito onde alguma angústia de difícil solução insiste em permanecer, a abordagem terapêutica EMDR ajuda a reprocessar o tema central e toda a rede de informações emocionais implicadas.



EMDR é uma abordagem desenvolvida por Francine Shapiro, EUA, e que hoje é mundialmente conhecida e divulgada. A terapia passa por movimento ocular bilateralizado ou algum outro movimento bilateral para que o cérebro possa reproduzir a fase REM do sono, que é quando sonhamos e tentamos resolver alguma questão emocional através dos nossos simbolismos emocionais, pessoais e às vezes universais. O EMDR é neuropsicologia e ajuda o cérebro a se conduzir como se estivesse passando por um sonho acordado.
A partir de uma espécie de campo cirúrgico criado pelo terapeuta e paciente, este, totalmente consciente, reprocessa a situação perturbadora onde cenas difíceis, sensações corporais, lembranças e outros, vão sendo reprocessados para a cura e mudança definitiva de padrões de funcionamento, muitas vezes de toda uma vida.



quarta-feira, 3 de julho de 2013

Neo X Sócrates- A Filosofia Nos Tempos de Hoje...

Quem viu o filme Matrix - antes que se tornasse o primeiro de uma série - há de se lembrar da cena em que o herói Neo é levado pelo guia Morfeu para ouvir o oráculo. 
Que é um oráculo? A palavra oráculo possui dois significados principais, que aparecem nas expressões "consultar um oráculo" e "receber um oráculo". No primeiro caso, significa "uma mensagem misteriosa" enviada por um deus como reposta a uma indagação feita por algum humano; é uma revelação divina que precisa ser decifrada e interpretada. No segundo, significa "uma pessoa especial", que recebe a mensagem divina e a transmite para quem enviou a pergunta à divindade, deixando que o interrogante decifre e interprete a resposta recebida. Entre os gregos antigos, essa pessoa especial costumava ser uma mulher e era chamada sibila.

Em Matrix, aparece a sibila, uma mulher que recebeu o oráculo (isto é, a mensagem) e que é também o oráculo (ou seja, a transmissora da mensagem). Essa mulher pergunta a Neo se ele leu o que está escrito sobre a porta de entrada da casa em que acabou de entrar. Ele diz que não. Ela então lê para ele as palavras, explicando-lhe que são de uma língua há muito desaparecida, o latim. O que está escrito? Nosce te ipsum. O que significa? "Conhece-te a ti mesmo." O oráculo diz a Neo que ele - e somente ele - poderá saber se é ou não aquele que vai livrar o mundo do poder de Matrix e, portanto, somente conhecendo a si mesmo ele terá a reposta. 

Poucas pessoas que viram o filme compreenderam exatamente o significado dessa cena, pois ela é a representação, no futuro, de um acontecimento do passado, ocorrido há 23 séculos, na Grécia. 
                      Havia na Grécia, na cidade de Delfos, um santuário dedicado ao deus Apolo, deus da luz, da razão e do conhecimento verdadeiro, o patrono da sabedoria. Sobre o portal de entrada desse santuário estava escrita a grande mensagem do deus ou o principal oráculo de Apolo: "Conhece-te a ti mesmo" (Em grego, obviamente). Um ateniense, chamado Sócrates, foi ao santuário consultar o oráculo, pois em Atenas, onde morava, muitos diziam que ele era um sábio e ele desejava saber o que significava ser um sábio e se ele poderia ser chamado de sábio. O oráculo, que era uma mulher, perguntou-lhe: "O que você sabe?". Ele respondeu: "Só sei que nada sei." Ao que o oráculo disse: "Sócrates é o mais sábio de todos os homens, pois é o único que sabe que não sabe." Sócrates, como todos sabem, é o patrono da Filosofia. 

NEO E SÓCRATES

Por que as personagens do filme afirmam que Neo é "o escolhido"? Por que eles estão seguros de que ele será capaz de realizar o combate final e vencer a Matrix? 

Porque ele era um pirata eletrônico, isto é, alguém capaz de invadir programas, decifrar códigos e mensagens, mas, sobretudo, porque ele também era um criador de programas de realidade virtual, um perito capaz de rivalizar com a própria Matrix e competir com ela. Por ter um poder semelhante ao dela, Neo sempre desconfiou de que a realidade não era exatamente tal como se apresentava. Sempre teve dúvidas quanto à realidade percebida e secretamente questionava o que era a Matrix. Essa interrogação o levou a vasculhar os circuitos internos da máquina (tanto assim que começou a ser perseguido por ela como alguém perigoso) e foram suas incursões secretas que o fizeram ser descoberto por Morfeus. 


Por que Sócrates é considerado o "patrono da Filosofia"? Porque jamais se contentou com as opiniões estabelecidas, com os preconceitos de sua sociedade, com as crenças inquestionadas de seus conterrâneos. Ele costumava dizer que era impelido por um espírito interior (como Morfeus instigando Neo) que o levava a desconfiar das aparências e procurar a realidade verdadeira de todas as coisas.

Sócrates andava pelas ruas de Atenas fazendo aos atenienses algumas perguntas: "O que é isso em que você acredita?", "O que é isso que você está dizendo?", "O que é isso que você está fazendo?". Os atenienses achavam, por exemplo, que sabiam o que era a justiça. Sócrates lhes fazia perguntas de tal maneira sobre a justiça que, embaraçados e confusos, chegavam à conclusão de que não sabiam o que ela significava. Os atenienses acreditavam que sabiam o que era a coragem. Com suas perguntas incansáveis, Sócrates os fazia concluir que não sabiam o que significava a coragem. Os atenienses acreditavam também que sabiam o que eram a bondade, a beleza, a verdade, mas um prolongado diálogo com Sócrates os fazia perceber que não sabiam o que era aquilo em que acreditavam. A pergunta "O que é?" era o questionamento sobre a realidade essencial e profunda de uma coisa para além das aparências e contra as aparências. Com essa pergunta, Sócrates levava os atenienses a descobrir a diferença entre parecer e ser, entre mera crença ou opinião e verdade.


Sócrates era filho de uma parteira. Ele dizia que sua mãe ajudava o nascimento dos corpos e que ele também era um parteiro, mas não de corpos e sim de almas. Assim como sua mãe lidava com a Matrix corporal, ele lidava com a Matrix mental, auxiliando as mentes a libertar-se das aparências e buscar a verdade.

Como os de Neo, os combates socráticos eram também combates mentais ou de pensamento. E enfureceram de tal maneira os poderosos de Atenas que Sócrates foi condenado à morte, acusado de espalhar dúvidas sobre as idéias e os valores atenienses, corrompendo a juventude.

O paralelo entre Neo e Sócrates não se encontra apenas no fato de que ambos são instigados por "espíritos" que os fazem desconfiar das aparências nem apenas pelo encontro com um oráculo e o "Conhece-te a ti mesmo" e nem apenas porque ambos lidam com matrizes. Podemos encontrá-lo também ao comparar a trajetória de Neo até o combate final no interior da Matrix e em uma das mais célebres e famosas passagens de um escrito de um discípulo de Sócrates, o filósofo Platão. Essa passagem encontra-se numa obra intitulada A República e chama-se "O mito da caverna".
O filósofo Sócrates rebelou-se contra os sofistas, dizendo que não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito pela verdade, já que defendiam qualquer idéia, se isso fosse vantajoso. Corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira valer tanto quanto a verdade. Como homem de seu tempo, Sócrates concordava com os sofistas em um ponto: por um lado, a educação antiga do guerreiro belo e bom já não atendia às exigências da sociedade grega, e, por outro, os filósofos cosmologistas defendiam idéias tão contrárias entre si que também não eram uma fonte segura para o conhecimento verdadeiro.

Discordando dos antigos poetas, dos antigos filósofos e dos sofistas, o que propunha Sócrates?

Propunha que, antes de querer conhecer a natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. Como vimos na Introdução, a expressão "Conhece-te a ti mesmo", ou o oráculo que estava gravado no pórtico do templo de Apolo, em Delfos, deus da luz e da sabedoria, foi o centro das preocupações e investigações de Sócrates. Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros é que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem (em grego, ántropos), particularmente de seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade.
 

                                O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão. Que retrato Platão nos deixa de seu mestre Sócrates? 
O de um homem que andava pelas ruas e praças de Atenas, pelo mercado e pela assembléia indagando a cada um: "Você sabe o que é isso que você está dizendo?", "Você sabe o que é isso em que você acredita?" 
Sócrates fazia perguntas sobre as idéias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. Suas perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, irritados, curiosos, pois, quando tentavam responder ao célebre "o que é?", descobriam, surpresos, que não sabiam responder e que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas idéias. Mas o pior não era isso. O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates respondesse por elas ou para elas, que soubesse as respostas às perguntas, como os sofistas pareciam saber, mas Sócrates, para desconcerto geral, dizia: 
"Eu também não sei, por isso estou perguntando". Donde a famosa expressão atribuída a ele quando respondeu à pergunta da sibila no templo de Apolo: "Sei que nada sei".


A consciência da própria ignorância é o começo da Filosofia. O que procurava Sócrates? Procurava a definição daquilo que uma coisa, uma idéia, um valor é verdadeiramente. Aquilo que uma coisa, uma idéia, um valor é realmente em si mesmo chama-se essência. Sócrates procurava a essência real e verdadeira da coisa, da idéia, do valor. Como a essência não é dada pela percepção sensorial e sim encontrada pelo trabalho do pensamento, procurá-la é procurar o que o pensamento conhece da realidade e verdade de uma coisa, de uma idéia, de um valor. Isso que o pensamento conhece da essência chama-se conceito. Sócrates procurava o conceito, e não a mera opinião que temos de nós mesmos, das coisas, das idéias e dos valores.

Qual a diferença entre uma opinião e um conceito? A opinião varia de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de época para época. É instável, mutável, depende de cada um, de seus gostos e preferências. O conceito, ao contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o pensamento descobre, mostrando que é a essência universal, intemporal e necessária de alguma coisa. Por isso, Sócrates não perguntava se tal ou qual coisa era bela - pois nossa opinião sobre ela pode variar - e sim: "O que é a beleza?", "Qual é a essência ou o conceito do belo, do justo, do amor, da amizade?". 
Sócrates perguntava: "Que razões rigorosas você possui para dizer o que diz e para pensar o que pensa?", "Qual é o fundamento racional daquilo que você fala e pensa?". 
Ora, as perguntas de Sócrates se referiam a idéias, valores, práticas e comportamentos que os atenienses julgavam certos e verdadeiros em si mesmos e por si mesmos. Ao fazer suas perguntas e suscitar dúvidas, Sócrates os fazia pensar não só sobre si mesmos, mas também sobre a polis. Aquilo que parecia evidente acabava sendo percebido como duvidoso e incerto.

Sabemos que os poderosos têm medo do pensamento, pois o poder é mais forte se ninguém pensar, se todo mundo aceitar as coisas como elas são, ou melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que elas são. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno - a cicuta - e obrigado a suicidar-se. 
                                           Por que Sócrates não se defendeu? "Porque", dizia ele, "se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. Se eu me defender, o que os juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu preferiria morrer a ter de renunciar à Filosofia".

Sócrates nunca escreveu. O que sabemos de seus pensamentos encontra-se nas obras de seus vários discípulos, e Platão foi o mais importante deles. Se reunirmos o que esse filósofo escreveu sobre os sofistas e sobre Sócrates, além da exposição de suas próprias idéias, poderemos apresentar como características gerais do período socrático:
                               
A Filosofia se volta para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das idéias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa com as questões morais e políticas.
                                                                    O ponto de partida da Filosofia é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão. Reflexão é a volta que o pensamento faz sobre si mesmo para conhecer-se; é a consciência conhecendo-se a si mesma como capacidade para conhecer as coisas, alcançando o conceito ou a essência delas.

Como se trata de conhecer a capacidade de conhecimento do homem, a preocupação se volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que encontramos a verdade, isto é, o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos próprios, critérios próprios e meios próprios para saber o que é o verdadeiro e como alcançá-lo em tudo o que investiguemos.

A Filosofia está voltada para a definição das virtudes morais e das virtudes políticas, tendo como objeto central de suas investigações a moral e a política, isto é, as ideias e práticas que norteiam os comportamentos dos seres humanos tanto como indivíduos quanto como cidadãos. Cabe à Filosofia, portanto, encontrar a definição, o conceito ou a essência dessas virtudes, para além da variedade das opiniões, para além da multiplicidade das opiniões contrárias e diferentes. As perguntas filosóficas se referem, assim, a valores como a justiça, a coragem, a amizade, a piedade, o amor, a beleza, a temperança, a prudência, etc., que constituem os ideais do sábio e do verdadeiro cidadão.


É feita, pela primeira vez, uma separação radical entre, de um lado a opinião e as imagens das coisas, trazidas pelos nossos órgãos dos sentidos, nossos hábitos, pelas tradições, pelos interesses, e, de outro lado, as ideias. As ideias se referem à essência íntima, invisível, verdadeira das coisas e só podem ser alcançadas pelo pensamento puro, que afasta os dados sensoriais, os hábitos recebidos, os preconceitos, as opiniões. A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual, que permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível, imutável, universal e necessária. A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, mutáveis, inconsistentes, contraditórias, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho próprio no conhecimento verdadeiro.

A diferença entre os sofistas, de um lado, e Sócrates e Platão, de outro, é dada pelo fato de que os sofistas aceitam a validade das opiniões e das percepções sensoriais e trabalham com elas para produzir argumentos de persuasão, enquanto Sócrates e Platão consideram as opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens das coisas, como fonte de erro, mentira e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da realidade.

NEO E A MATRIX

Se voltarmos ao filme Matrix, podemos perguntar por que foi feito o paralelo entre Neo e Sócrates.

Comecemos pelo nome das duas personagens masculinas principais: Neo e Morfeus. Esses nomes são gregos. Neo significa "novo" ou "renovado" e, quando dito de alguém, significa "jovem na força e no ardor da juventude." Morfeus pertence à mitologia grega: era o nome de um espírito, filho do Sono e da Noite, que possuía asas e era capaz, num único instante, de voar em absoluto silêncio para as extremidades do mundo. Esvoaçando sobre um ser humano ou pousando levemente sobre sua cabeça, tocando-o com uma papoula vermelha, tinha o poder não só de fazê-lo adormecer e sonhar, mas também de aparecer-lhe no sonho, tomando forma humana. É dessa maneira que, no filme, Morfeu se comunica pela primeira vez com Neo, que desperta assustado com o ruído de uma mensagem na tela de seu computador. E, no primeiro encontro de ambos, Morfeu surpreende Neo por sua extrema velocidade, por ser capaz de voar e por parecer saber tudo a respeito desse jovem que não o conhece. Várias vezes Morfeus pergunta a Neo se ele tem sempre a impressão de estar dormindo e sonhando, como se nunca tivesse certeza de estar realmente desperto. Essa pergunta deixa de ser feita a partir do momento em que, entre uma pílula azul e uma vermelha oferecidas por Morfeu, Neo escolhe ingerir a vermelha (como a papoula da mitologia), que o fará ver a realidade. É Morfeu quem lhe mostra a Matrix, fazendo-o compreender que passou a vida inteira sem saber se estava desperto ou se dormia e sonhava porque, realmente, esteve sempre dormindo e sonhando.

O que é a Matrix? Essa palavra é latina. Deriva de mater, que quer dizer "mãe". Em latim, matrix é o órgão das fêmeas dos mamíferos onde o embrião e o feto se desenvolvem; é o útero. Na linguagem técnica, a matriz é o molde para fundição de uma peça; o circuito de codificadores e decodificadores das cores primárias (para produzir imagens na televisão) e dos sons (nos discos, fitas e filmes); e, na informática, é a rede de guias de entradas e saídas de elementos lógicos dispostos em determinadas interseções.


No filme, a Matrix tem todos esses sentidos: ela é, ao mesmo tempo, um útero universal onde estão todos os seres humanos cuja vida real é "uterina" e cuja vida imaginária é forjada pelos circuitos de codificadores e decodificadores de cores e sons e pelas redes de guias de entrada e saída de sinais lógicos.

Qual é o poder da Matrix? Usar e controlar a inteligência humana para dominar o mundo, criando uma realidade virtual ou falsa realidade na qual todos acreditam. A Matrix é o feitiço virado contra o feiticeiro: criada pela inteligência humana, a Matrix é inteligência virtual que destrói a inteligência que a criou porque só subsiste sugando o sistema nervoso central dos humanos. Antes que a palavra computador fosse usada correntemente, quando só havia as enormes máquinas militares e de grandes empresas, falava-se em "cérebro eletrônico". Por quê? Porque se tratava de um objeto técnico muito diferente de todos até então conhecidos pela humanidade. De fato, os objetos técnicos tradicionais ampliavam a força física dos seres humanos (o microscópio e o telescópio aumentavam o limite dos olhos; o navio, o automóvel e o avião aumentavam o alcance dos pés humanos; a alavanca, a polia, a chave de fenda, o martelo aumentavam a força das mãos humanas; e assim por diante). Em contrapartida, "o cérebro eletrônico" ou computador, amplia e mesmo substitui as capacidades mentais ou intelectuais dos seres humanos. A Matrix é o computador gigantesco que escraviza os homens, usando a mente deles para controlar as próprias percepções, sentimentos e pensamentos, fazendo-os crer que o aparente é real.

Vencer o poder da Matrix é destruir a aparência, restaurar a realidade e assegurar que os seres humanos possam perceber e compreender o mundo verdadeiro e viver realmente nele. Todos os combates realizados por Neo e seus companheiros são combates cerebrais e do sistema nervoso, isto é, são combates mentais entre os centros de sensação, percepção e pensamento humanos e os centros artificiais da Matrix. Ou seja, as armas e tiroteios que aparecem na tela são pura ilusão, não existem, pois o combate não é físico e sim mental.
                                                           

 O que é a caverna? O mundo das aparências em que vivemos. 
Que são as sombras projetadas no fundo? As coisas que percebemos. 
Que são os grilhões e as correntes? Nossos preconceitos e opiniões, nossa crença de que o que estamos percebendo é a realidade. 
Quem é o prisioneiro que se liberta e sai da caverna? O filósofo. 
O que é a luz do Sol? A luz da verdade. 
O que é o mundo iluminado pelo sol da verdade? A realidade. 
Qual o instrumento que liberta o prisioneiro rebelde e com o qual ele deseja libertar os outros prisioneiros? A Filosofia. 



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Você Já Abraçou Seu Lado Ruim Hoje???

Todos os seres humanos carregam em si todos os aspectos da dualidade. Aqueles que não concordam com isso, são os que vivem em negação, preferindo viver em suas mentiras e ilusões a terem que confrontar suas verdades, constando que sim, contém todos os aspectos negativos que os outros humanos. Reconhecer essa realidade é também um ato de humildade. É fácil apontar o dedo acusador para aqueles que cometem atos violentos e vandalismos em geral; é fácil ficar em sua posição confortável, falando dos erros alheios, mas é muito difícil e raro, eu diria, encontrar alguém que reconheça que tudo aquilo que mais o incomoda nos outros -neste exemplo, a violência-, só o incomoda dessa forma demasiada porque essa mesma violência -não manifestada- também existe dentro de si.


Vou citar o exemplo das manifestações que estão acontecendo à nossa volta. Todos os "manifestantes pacíficos" que iniciaram o movimento foram movidos por impulsos de indignação, injustiça, revolta, dentre outros sentimentos e emoções "negativos". Sua manifestação, em termos de atitudes, foi pacífica em verdade, porém, internamente, sua fera estava movida por sentimentos horríveis e um desejo enorme de "sair para o mundo" e gritar por seus direitos de forma bastante agressiva, seja na expressão da palavra ou até mesmo expressando em atitudes. Porém, estes manifestantes pacíficos, são suficientemente autocontrolados - excessivamente -, para permitirem que suas feras pudessem vir à tona de forma tão explícita. Assim, saíram "pacificamente" para as ruas, enquanto suas feras foram manifestadas vibracionalmente "para fora", fisicamente nada havia de agressividade nas suas manifestações, mas na energia -que é a nossa realidade mais poderosa-, todos estavam "soltando os bichos" numa projeção energética. Com isso, dentre os "pacíficos", havia todo o grupo de "feras energéticas" junto deles, VIBRANDO violência e agressividade.


Como tudo ocorre na dinâmica oculta das energias, quem olha com os olhos físicos, nada enxerga, a não ser manifestantes pacíficos e, se ninguém percebe a realidade oculta na mente humana, nós nunca poderemos perceber verdadeiramente o que nos impede de evoluir e de ascender. Se Somos Todos Um, aquilo que existe na mente destrutiva de um está na mente de todos, assim como, aquilo que está no coração bondoso de um está no coração de todos. Enquanto as mentes não forem desmascaradas em suas mazelas ocultas e aceitas, nós nunca conseguiremos dar o salto evolucional pelo qual tanto esperamos.

Enquanto os ditos pacíficos controlam e negam suas feras, a agressividade humana continuará ativa e latente. Os estragos de uma energia oculta projetada são muito maiores dos que ocorrem com energias manifestadas. Desta forma, para que possamos trazer a evidência dessa realidade agressiva à tona, algumas pessoas, que já estão com sua agressividade mais latente e aflorada, e predispostas a manifestarem-se de forma violenta e agressiva, acabam captando a energia das "feras vibracionais" que estão ali, manifestadas energeticamente no grupo, e "incorporam as feras/demônios" de todos, que entram em comunhão com suas feras que já estão à solta e acabam manifestando na fisicalidade aquilo que as "feras dissimuladas" não querem manifestar. Assim, todos do grupo, inclusive os tais manifestantes pacíficos, são responsáveis pelas atitudes violentas dos manifestantes agressivos, pois estes abraçaram suas feras rejeitadas.


Se a violência humana não for reconhecida individualmente, para que cada um de nós tome conta de sua fera interior, não haverá outro jeito de transcendermos a violência, a não ser através de manifestações explícitas de alguns que estão adorando poder soltar suas feras. É por isso que há um grande movimento de situações agressivas e violentas acontecendo nos últimos tempos. Se cada ser humano for capaz de mergulhar em si mesmo numa busca honesta e corajosa, para encontrar e conhecer suas feras e demônios ocultos, e se for capaz de aceitar e acolher essas suas expressões negativas, assumindo plenamente a responsabilidade por sua agressividade e violência, "abraçando suas feras", numa atitude de reconhecimento e vontade de cuidar dessas feras, para que elas tenham a oportunidade de serem educadas e ajustadas a um modelo mais saudável - na dualidade é impossível não termos agressividade que, em alguns momentos, é necessária para reagirmos em nossa defesa. O excesso disso é que é desequilíbrio -, elas começarão a se equilibrar e não precisarão mais ficar à espera de um momento de descuido nosso para que possam sair vibracionalmente fazendo estragos por aí, enquanto nós, dissimuladamente, ficamos acreditando em nossa pacificidade ao mesmo tempo em que ficamos apontando o dedo acusador aos violentos.
Toda a violência que acontece no mundo tem a ver com a violência que toda a humanidade está vibrando, exteriorizando ou não, ela está ali, causando males a todos nós. O mais prejudicado nisso é aquele que nega sua fera interna, pois ela está enjaulada, revoltada contra a própria pessoa que não a reconhece e não a aceita e acaba vibrando raiva, trazendo malefícios até mesmo à saúde daquele que a nega. Portanto, se as pessoas querem curar seus males, deverão, urgentemente, partir para essa busca interior no descobrimento de todo o seu lado mais destrutivo, abominável e aversivo. 


Enquanto não fizerem isso, suas vidas continuarão a ser insatisfatórias e frustrantes. E o mundo continuará violento.
Assuma sua violência e agressividade, sem julgamentos ou críticas. Aceite, esta é uma realidade humana, não há como estar mergulhado na 3D, na dualidade, sem carregarmos em nossa bagagem essas condições negativas. Mude seu olhar sobre isso e ao reconhecer suas feras, deseje encontrar, em seu coração, toda a força compassiva e amorosa que você contém, para que você possa se olhar e se aceitar com amorosidade. Você não é um monstro, você é apenas um ser humano que veio expressar sua missão escolhida por sua alma e foi ela mesma que escolheu quais feras deveria trazer para poder sobreviver a esta experiência tão difícil que é viver na dualidade. 


Quando você entende que suas feras fazem parte de um grande projeto da alma e aprende a dar as mãos para essas feras, como um pai amoroso que conduz seu filho, e vive plenamente sem autocontrole excessivo e sem negação, você começa verdadeiramente a experimentar a vida com alegria. Suas tristezas mais profundas têm a ver com uma autorrejeição que nem você mesmo conhece. No fundo, você sabe que contém essas feras e é por isso mesmo que fez de tudo para trancá-las e negá-las tentando manter-se bem longe delas, criando comportamentos e máscaras para enganar a si mesmo e ao mundo e é por isso que você se rejeita. Se você não conquistar a real autoaceitação, independentemente do que carrega dentro de si, nunca conseguirá se libertar de suas limitações.

Recolha suas feras com amorosidade e responsabilidade, e a violência no mundo diminuirá e, com o tempo, aqueles que ainda querem exteriorizar sua violência, após se darem o direito de exorcizarem seus demônios, também irão se sentir mais aliviados e poderão, com nossa vibração amorosa, voltarem a um estado mais saudável.

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